Cemaden desenvolve aplicativo para auxílio no combate à Covid-19

Em parceria com a prefeitura de São José dos Campos, o Centro vai contribuir para a gestão e divulgação de dados relacionados à ocorrência de Covid-19 para o benefício da população e subsídio a tomadores de decisão
por ASCOM - publicado 26/06/2020 11h28. Última modificação 26/06/2020 15h03.

ASCOM/CEMADEN

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Cemaden desenvolve aplicativo para auxílio no combate à Covid-19

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), publicou no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (24) um protocolo de intenções entre o Centro e a Secretaria de Saúde do município de São José dos Campos (SP), para identificar oportunidades e fontes de financiamento para o desenvolvimento conjunto de um aplicativo que integre informações e dados epidemiológicos, sociodemográficos e de localizações de hospitais e de postos de saúde na escala intramunicipal. O principal objetivo é disponibilizar informações dos casos de Covid-19 no perímetro intraurbano do município, a fim de fornecer uma ferramenta de comunicação de risco e contribuir para a percepção de risco da população.

De acordo com a coordenadora de Relações Institucionais e diretora substituta do Cemaden, Regina Alvalá, o Marco de Ação de Sendai e o Escritório das Nações Unidas para a redução do risco de desastres recomendam que o aprimoramento das capacidades nacionais e comunitárias para lidar com os riscos de desastres deve ser abrangente o suficiente para incluir, entre outros, os riscos de desastres biológicos que impactam em diferentes escalas, frequências e intensidades. Assim que ficou claro que a situação da Covid-19 no Brasil poderia implicar em um alto grau de contaminação, com grande impacto social e econômico, a direção do Cemaden se colocou à disposição do MCTI para contribuir com a gestão da pandemia.

“Inicialmente, consideramos que a base de dados sobre a população vulnerável vivendo em área de risco de desastres, elaborada no escopo da parceria entre o Cemaden e o IBGE pudesse ser relevante”, diz Regina. “Na base de dados elaborada dispomos de informações detalhadas, como, por exemplo, os percentuais de idosos e de crianças, grau de escolaridade, que poderiam ser úteis para um cruzamento de informações”.

No entanto, tais informações não são completas para a gestão da pandemia, uma vez que se limitalimitam a áreas de risco de desastres. Posteriormente, a equipe do Cemaden fez um levantamento da população vivendo em áreas de aglomerados subnormais nas 27 capitais do Brasil que, por se tratar de cidades mais densamente habitadas e com maior concentração de pessoas, poderiam ser mais significativamente impactadas pela Covid-19. O órgão produziu uma nota técnica que foi apresentada ao MCTI, que por sua vez sugeriu a elaboração de um projeto piloto considerando municípios.

“Com o avanço da pandemia, e a partir da interação com gestores de saúde do município de São José dos Campos, consideramos  relevante complementar o sistema de gestão da Covid-19 em operação na Prefeitura, auxiliando na divulgação de informações para a população, gestores de saúde e tomadores de decisão; ou seja, desenvolver, além do aplicativo,  um dashboard (site) que incorpore dados e informações como número de infectados, de óbitos, de leitos disponíveis, de testes, entre outros e que possam ser disponibilizados em mapa interativo,” explica Regina. “Tais informações são relevantes para a gestão da pandemia, e, consequentemente, para aprimorar a comunicação, a percepção de risco e educação, eixos esses priorizados em gestão de riscos de desastres, incluindo os relacionados com pandemias.

 

Aplicativo

O aplicativo proposto pelo Cemaden foi especificado levando-se em conta um estudo de benchmarketing, ou seja, uma avaliação de mais de 100 aplicativos voltados para a Covid-19 já disponíveis, com a finalidade de verificar quais ferramentas poderia, ser úteis para apoio às decisões da prefeitura e, também, quais lacunas ainda existiam e que o Cemaden pode contribuir”, ressalta Regina.  

O Cemaden, que tem participado do comitê de enfrentamento do Covid-19 no município, considera que esses eixos são importantes para conscientização da população.  de São José dos Campos, e com isso acompanhado os desafios típicos enfrentados por uma administração municipal de médio porte, como é o caso da cidade. Embora a situação atual do município em relação à pandemia não seja severamente crítica, sabe-se que com o início do relaxamento de medidas de isolamento social a população está voltandovoltará a se aglomerar, o que pode aumentar o contágio.

“Daí a importância da percepção do risco”, lembra Regina. “Nosso objetivo é que não só os gestores do sistema de saúde possam se   se beneficiar do de um aplicativo, mas que a população também pudesse ter acesso facilitadopossa compreender os riscos a que está submetida através de informações quantitativas, por traduzidas numa linguagem típica de aplicativos georreferenciados que já são de uso corriqueiro pela população. Por exemplo, sobre o númeroque se busca são meios intuitivos e diretos de mostrar os números de casos em seuno bairro, quantos foram curados e assim por diante”. A diretora ressalta que os desde o primeiro momento da discussão, uma preocupação era garantir a anonimização dos dados provenientes da Secretaria de Saúde são anonimizados e o aplicativo não colhe dados do aparelho, garantindo a privacidade dos pacientes.

Com essa orientação geral, equipes do Cemaden começaram um estudo sobre os aplicativos existentes. “Hoje existe uma variedade grande de aplicativos sobre a Covid-19, entretanto percebemos que há oportunidade para novas soluções voltadas especificamente para as gestões municipais”, ressalta Regina. O aplicativo proposto pelo Cemaden foi especificado a partir de um benchmarking, ou seja, uma avaliação de mais de 100 aplicativos voltados para a Covid-19 já disponíveis. Este estudo preliminar permitiu verificar quais ferramentas estão disponíveis para prefeituras e, também, quais lacunas ainda existem, as quais poderiam ser preenchidas por um novo aplicativo.

A partir desse estudo preliminar, o Cemaden construiu um modelo para um novo aplicativo a funcionar no modelo “progressive web application”. Algumas das características desse aplicativo foram prototipadas, com definição do modelo de dados e implementações de back-end e front-end. Um aspecto primordial é encontrar formas de coletar dados anonimizados (em complementação aos já existentes), tratá-los e comunicá-los aos munícipes, criando instrumentos interativos, visuais e não-visuais, para que a percepção de risco seja de fácil absorção pelo público em geral. Outro aspecto, num ambiente saturado por aplicativos, é encontrar meios de aumentar a relevância social daquela solução, transformando-a em algo realmente útil para o cidadão. Do ponto de vista da coleta de dados, foram propostas formas de evitar a coleta indiscriminada e automática de informações sobre o cidadão, mas, ao mesmo tempo, meios para garantir a qualidade e a segurança dos dados.

O protótipo desenvolvido pelo Cemaden é baseado em tecnologias livres, com algumas funcionalidades voltadas para a apresentação e análise de dados geoespacializados. Para que este aplicativo possa ser disponibilizado para o grande público com alta disponibilidade e rápida atualização, inclusive com sua distribuição para outras cidades do país, o Cemaden está buscando parcerias com provedores capazes de oferecer acesso com alta disponibilidade e confiabilidade, para o público em geral.

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