Sirius tem R$ 75 milhões em recursos liberados pelo MCTIC

Em fase de testes, a nova fonte de luz síncrotron do Brasil deve entrar em operação dentro dos próximos meses
por ASCOM - publicado 29/06/2019 11h28. Última modificação 29/06/2019 11h36.

ASCOM/CNPEM/LNLS

ASCOM/CNPEM/LNLS

Imagem aérea do Sirius

Para garantir a continuidade do projeto Sirius, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) assinou nesta semana um termo aditivo em seu orçamento, no valor de R$ 75 milhões. Localizado em Campinas (SP), o Sirius é a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no País, e uma das primeiras fontes de luz síncrotron de 4ª geração do mundo. 

Atualmente está concluída a fase de construção civil do Sirius – que tem o tamanho de um estádio de futebol –, e hoje estão sendo realizados testes nos aceleradores. Os recursos liberados permitirão a continuidade dos testes e a construção das estações experimentais, conhecidas como “linhas de luz”. É o que afirma o diretor-geral do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), Antonio José Roque da Silva, organização social vinculada ao MCTIC e responsável pelo Sirius. 

“Estes recursos são fundamentais para que possamos concluir as primeiras linhas de luz, que é onde os experimentos serão feitos de fato,” afirma. “A perspectiva é de que possamos fazer as encomendas necessárias para a entrega das primeiras estações experimentais para testes, visando a abertura das linhas para a comunidade científica e tecnológica no início de 2020.”

O CNPEM conta com 250 colaboradores diretamente envolvidos com a implementação do Sirius, além de centenas de outros profissionais, ligados ao projeto por meio de empresas fornecedoras de produtos e serviços. O Sirius tem, entre seus objetivos, o de ajudar a alavancar a inovação nas empresas brasileiras, com a execução de grande parte de seus recursos dentro do País.

Após a conclusão do projeto global, que inclui a montagem de 13 linhas de luz até o fim de 2020, milhares de pesquisadores brasileiros poderão ser atendidos nas instalações científicas do Sirius. Além disso, sua infraestrutura irá constituir um polo de atração para cientistas estrangeiros, já que se trata de um equipamento de última geração no mundo.

“O Sirius é um projeto estruturante para o país”, ressalta o diretor. “Ele gera ciência de ponta, estimula a inovação e o desenvolvimento tecnológico e envolve recursos humanos altamente qualificados em seu projeto e operação. Tem, ainda, um papel na internacionalização da ciência brasileira, além de refletir positivamente na autoestima dos brasileiros, pois com ele percebemos a nossa capacidade de construir projetos dessa magnitude.”

Ao longo deste ano, o ministro do MCTIC, Marcos Pontes, vem apontando o Sirius com umas das prioridades para a recomposição do orçamento do MCTIC, juntamente com os recursos para suas entidades vinculadas e para as bolsas de pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o que significa que novos recursos devem ser liberados em breve para o projeto.

“A prioridade dada ao projeto pelo ministro tem sido importante, e demonstra o seu foco no papel da ciência e tecnologia para a mobilização de soluções para o país, assim como para a inserção do Brasil no cenário mundial,” diz Roque. “O Sirius é mais uma grande ferramenta que o MCTIC está entregando para ajudar a resolver os desafios do País.”

Novos testes

Em março deste ano (LINK http://cnpem.br/primeira-volta-de-eletrons-e-alcancada-no-segundo-acelerador-de-particulas-do-sirius/) foi realizada a primeira volta completa de elétrons no segundo, dentre os três aceleradores do Sirius: o Booster. Cada acelerador é um equipamento finamente ajustado, ao longo do qual os elétrons devem percorrer uma trajetória com precisão micrométrica. 

O Sirius possui três aceleradores de elétrons, que são responsáveis por gerar a luz síncrotron. Um primeiro acelerador linear (Linac) produz e acelera os elétrons, que são conduzidos ao acelerador injetor (Booster), e no qual permanecem até que alcancem os níveis de energia necessários para gerar a luz síncrotron. Só então o feixe é depositado no acelerador principal, onde os elétrons circulam por longos períodos, dando cerca de 600 mil voltas por segundo.

“Nas próximas semanas faremos os testes finais no segundo acelerador, o booster, alcançando a sua energia máxima, de cerca de 3 bilhões de elétron-volts (3 GeV),” conta Roque. “A previsão é de iniciarmos a injeção de elétrons no acelerador principal até agosto.” O diretor-geral afirma que após os testes haverá uma fase de comissionamento e de montagem das primeiras linhas de luz. 

“Os recursos liberados agora serão essenciais para a continuidade do projeto, visando dar início ao uso do equipamento e realizar os primeiros experimentos científicos no Sirius em um futuro breve,” conclui.

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