Pancadas de chuvas no verão reforçam atenção com desastres naturais

Estação mais quente do ano começa nesta sexta-feira (21) com altas temperaturas e fortes pancadas de chuvas. Metade dos alertas emitidos pelo Cemaden é feito durante o verão. 
por ASCOM - publicado 19/12/2018 11h34. Última modificação 22/05/2019 09h05.
Pancadas de chuvas no verão reforçam atenção com desastres naturais

Cerca de 50% dos avisos de perigo são disparados pelo Cemaden para as defesas civis de áreas monitoradas durante o verão. Fotos: Ascom/MCTIC

O verão começa nesta sexta-feira (21), às 20h22 (horário de Brasília), com altas temperaturas e fortes pancadas de chuva. O fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais da porção equatorial do Oceano Pacífico, próximo à costa do Peru, deve ser de baixa intensidade. Ainda assim, é esperado que as temperaturas em todo o país fiquem acima da média histórica.

“A previsão que temos, pelo menos até fevereiro de 2019, é que as temperaturas em todo o país fiquem acima da média. Em termos climatológicos, o verão caracteriza-se pela elevação das temperaturas e pelas precipitações intensas em muitas regiões. Não necessariamente com maiores acumulados, mas em forma de pancadas, devido à condição termodinâmica favorável. E, com as temperaturas mais altas, as pancadas podem ser mais violentas”, destacou a meteorologista Aline Macedo, do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe).

Desastres naturais

Com mais calor e mais pancadas de chuva, aumenta o risco de desastres naturais. Cerca de 50% dos avisos de perigo são disparados para as defesas civis de áreas monitoradas durante o verão. É o que revela levantamento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Ao todo, 854 municípios de todas as regiões brasileiras são acompanhados pela unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Porém, a atenção se concentra em oito áreas consideradas de alto risco, todas elas localizadas no Sudeste: a Região Metropolitana de Belo Horizonte; a Zona da Mata Mineira; o Vale do Rio Doce; a porção central do Espírito Santo; a Região Serrana do Rio de Janeiro; a Região Metropolitana do Rio de Janeiro e a Costa Verde; a Região Metropolitana de São Paulo; e o Litoral Norte paulista.

Segundo o coordenador de Operações e Modelagem do Cemaden, Marcelo Seluchi, dois fatores explicam a atenção: a topografia dessas áreas, repleta de encostas e de bacias hidrográficas (sejam de pequeno ou grande porte); e a alta densidade demográfica nas áreas consideradas de risco, como encostas e morros.

“São as regiões que têm o maior numero de pessoas expostas aos desastres, que têm pessoas morando nas encostas. E o auge da estação chuvosa é justamente no verão, o que acaba por expor essas populações a riscos enormes. Quando juntamos as pancadas de chuvas com as condições topográficas favoráveis e o povoamento de encostas e áreas alagáveis, configura-se a possibilidade de ocorrer um desastre natural”, explicou Seluchi.

Dias mais longos

A estação mais quente do ano começa com o solstício de verão – o dia mais longo do ano. Às 20h22 (horário de Brasília), o Sol vai atingir o seu ponto mais distante do equador. Esse movimento marca o início do verão no hemisfério sul e o começo do inverno no hemisfério norte.

“As estações do ano são definidas pela posição da Terra em sua órbita em torno do Sol e pela inclinação do eixo de rotação do planeta em relação ao plano de sua órbita”, disse a pesquisadora Josina Nascimento, do Observatório Nacional (ON). “Por causa da inclinação de aproximadamente 23 graus do eixo da Terra em relação ao seu plano de órbita, os raios solares atingem mais diretamente um hemisfério da Terra de cada vez. Quando é verão no hemisfério sul, os raios solares estão incidindo diretamente sobre ele, tornando os dias mais quentes e com mais horas de luz. Por isso, no verão, os dias são maiores do que as noites”, acrescentou.

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