Ministro participa de lançamento de selos em homenagem a grandes cientistas brasileiros

Gilberto Kassab participou da obliteração das estampas comemorativas em reconhecimento ao físico César Lattes e à agrônoma Johanna Döbereiner.
por ASCOM - publicado 14/12/2018 18h39. Última modificação 22/05/2019 09h05.
Ministro participa de lançamento de selos em homenagem a grandes cientistas brasileiros

A tiragem da emissão é de 360 mil selos. Foto: Ascom/MCTIC

Foi lançada nesta sexta-feira (14) a emissão especial “Cientistas Brasileiros: César Lattes e Johanna Döbereiner”, produzidos pelos Correios. O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, participou da cerimônia de obliteração dos selos comemorativos, na sede do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no Rio de Janeiro.

A tiragem da emissão é de 360 mil selos, com valor facial de R$ 1,85 cada. As peças estarão disponíveis nas agências de todo o país e na loja virtual dos Correios.

Durante o evento, o ministro defendeu a ampliação dos recursos investidos em ciência, além do fortalecimento das instituições produtoras de conhecimento. A avaliação dele é que, dessa maneira, será possível construir um futuro melhor para o país.

“Minha expectativa é que possamos continuar mantendo o mesmo ritmo de recuperação da ciência brasileira. Precisamos recuperar, precisamos de novos investimentos, precisamos fortalecer os institutos, os trabalhos dentro das universidades para que, efetivamente, a gente possa corresponder às expectativas daqueles que idealizaram um Brasil melhor para que todos nós pudéssemos viver”, destacou.

César Lattes

O físico e matemático César Lattes é um dos maiores nomes da ciência brasileira e foi um dos fundadores do CBPF, em 1949. Ele fez parte da equipe que descobriu a partícula subatômica méson pi, o que acabou por revolucionar a física atômica e culminou na criação de um novo campo de estudos: a física de partículas. Os achados levaram o líder da pesquisa, Cecil Frank Powell, a conquistar o Prêmio Nobel de Física em 1950.

Depois, Lattes estudos os raios cósmicos, montando um laboratório em uma montanha dos Andes bolivianos e utilizando chapas fotográficas melhoradas com boro. O desenho do selo busca ilustrar esses experimentos. Por fim, na textura ao fundo de sua imagem, foram utilizados alguns rascunhos, representando cálculos e fórmulas.

Por suas realizações, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) deu seu nome ao sistema de currículo de cientistas, pesquisadores e estudantes. A Plataforma Lattes registra a vida profissional dos usuários.

“A ideia da cerimônia é celebrar dois grandes cientistas do Brasil, César Lattes e Johanna Döbereiner, que elevaram o patamar da pesquisa brasileira por suas realizações”, afirmou o diretor do CBPF, Ronald Shellard.

Johanna Döbereiner

A engenheira agrônoma Johanna Döbereiner (1924-2000) é uma figura central para a expansão da agricultura no Brasil. Nascida na República Tcheca e emigrada ao Brasil em 1948, ela desenvolveu a tecnologia de fixação biológica de nitrogênio no solo. O método consiste na inserção de bactérias Rhizobium em sementes para que os organismos celulares sirvam como uma espécie de adubo natural. A técnica permitiu que o Cerrado, que tem um solo com elevada acidez, se tornasse um terreno fértil e a principal área de cultivo de grãos do país.

A ilustração do selo demonstra a relação entre uma planta e as bactérias fixadoras de nitrogênio. Como textura ao fundo de sua imagem, foram utilizadas ilustrações em vetor de algumas folhas e leguminosas.

O trabalho iniciado com a soja hoje se estende para diversas outras culturas. Além disso, representou bilhões de dólares em economia para os produtores brasileiros. A fixação do nitrogênio por meio de bactérias torna o cultivo mais barato e natural, uma vez que substitui o uso de fertilizantes nitrogenados, um insumo caro e poluente.

A pesquisa desenvolvida no campo da agronomia garantiu a Johanna Döbenreiner um assento na Academia de Ciência do Vaticano. Além disso, ela foi uma das indicadas ao Prêmio Nobel de Química em 1997.

“A iniciativa é muito valiosa e deveria prosseguir. Na Inglaterra, as cédulas têm a efígie de grandes cientistas. E em selos muito mais. E os Correios estão na direção certa em resgatar nossa história científica. Devemos valorizar isso, porque coloca a ciência no cotidiano das pessoas”, disse o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ildeu de Castro Moreira.

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