Pesquisadores do Inpe estudam tempestades severas para melhorar previsão imediata

Pelo projeto Relampago, cientistas coletam dados no sul do Brasil, região marcada por temporais de granizo e vendavais decorrentes. Esforço internacional mobiliza pelo menos 40 pesquisadores brasileiros.
por ASCOM - publicado 19/11/2018 15h13. Última modificação 19/11/2018 15h15.
Pesquisadores do Inpe estudam tempestades severas para melhorar previsão imediata

Pelo projeto Relampago, cientistas coletam dados no sul do Brasil, região marcada por temporais de granizo e vendavais decorrentes. Foto: Reprodução da internet

Pesquisadores começaram a coletar dados para entender melhor os fenômenos climatológicos de alto impacto, como as tempestades severas, e fazer previsões imediatas. Esse esforço internacional, liderado no Brasil por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ganhou o nome de projeto Relampago.

Em novembro, a coleta de dados começou no sul do país e também na Argentina – uma área onde ocorrem as maiores tempestades do mundo, mobilizando pelo menos 200 pesquisadores nos dois países. “É uma região com uma enorme frequência de tempestades severas e, por tempestades severas, entendemos os dilúvios que geram pedras de granizo maiores que dois centímetros”, explica o pesquisador Luiz Augusto Machado, do Inpe.

Embora os Estados Unidos tenham, por exemplo, uma alta incidência de tornados, a região hoje estudada por Machado e sua equipe é marcada por uma quantidade maior e mais frequente de temporais de granizo e vendavais. “Por isso essa região atraiu a curiosidade de toda a comunidade científica. Estamos falando de gelos do tamanho de ovos e rajadas de vento muito intensas”, afirma Machado.

Segundo ele, esses fenômenos ocorrem devido à convergência de condições únicas do continente, como a corrente de vento úmida, que entra na Amazônia e corre para o sul, alimentando tempestades. “Todos os dias nascem células de chuva, mas somente umas vão crescer rapidamente e se tornar severas. É justamente esse o conhecimento que estamos tentando adquirir. Como prever que estas células irão efetivamente se tornar uma tempestade severa?”, questiona o pesquisador. “Por isso, chamamos de previsão de tempestades e não previsão do tempo. Não é o que acontecerá no clima amanhã. Nossa comunicação será mais imediata. Será algo do tipo: daqui a algumas horas vai entrar uma tempestade na região Sul com granizos do tamanho de bolas de tênis”, exemplifica.

O projeto Relampago é um desdobramento do SOS Chuva, que resultou no desenvolvimento de um aplicativo pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Inpe. A ferramenta permite ao usuário obter avisos sobre temporais nos minutos seguintes e em determinada distância. Foi criada a partir de imagens fornecidas por um moderno satélite geoestacionário, o GOES-16, que cobre toda a América do Sul.

Ciência em desenvolvimento

Os resultados do projeto Relampago servirão de base para o aprimoramento do trabalho de previsão do tempo de curto prazo e também para a redução de impactos sociais e econômicos relacionados ao clima. “Isso é uma ciência que está em desenvolvimento. Esse conhecimento não existe hoje”, ressalta Luiz Augusto Machado.

Tudo isso, acrescenta o cientista, é parte do esforço para descentralizar a meteorologia e a previsão do tempo, contribuindo para a construção de núcleos regionais. “Quando esses núcleos regionais estiverem estruturados, eles terão uma conexão com as defesas civil, estaduais e municipais, permitindo que esses avisos cheguem às pessoas. Assim, elas terão certa antecedência para se proteger e reduzir perdas, seja na agricultura, nos bens materiais ou na própria vida."

Financiamento

O projeto Relampago é financiado pela Fundação de Ciência dos Estados Unidos e conta com a cooperação da Agência Espacial Americana (Nasa) e Administração Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos, do Serviço Meteorológico e Conselho Científico e Tecnológico da Argentina (Conicet), da Comissão Nacional de Pesquisa Científica e Tecnológica do Chile (Conicyt), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Inpe.

O projeto conta ainda com o apoio da Universidade do Federal do Rio Grande do Sul, Instituição Federal Farroupilha, Universidade Federal de Santa Maria e Unipampa.

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