Temperaturas na região Sul não devem ser tão baixas, mesmo durante o inverno

Segundo a Previsão Climática Sazonal do MCTIC, termômetros serão influenciados pela queda no volume de precipitações. Tendência é que El Niño se forme nos próximos meses.
por ASCOM - publicado 19/07/2018 10h53. Última modificação 19/07/2018 11h08.
Temperaturas na região Sul não devem ser tão baixas, mesmo durante o inverno

Temperaturas mais altas devem ser reflexo da redução de chuvas na região Sul. Foto: Reprodução da Internet

A região Sul pode registrar temperaturas acima da média entre julho e setembro, meses ainda de inverno. No resto do país, os termômetros devem ficar dentro da média histórica. É o que indica o Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (GTPCS/MCTIC).

Segundo a meteorologista Renata Tedeschi, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe), esse panorama é reflexo da previsão de menos chuvas na região.

“Isso tem a ver com a previsão de chuvas, que tendem a ser abaixo da média. Quando tem nuvem, menos radiação solar chega à Terra e tem menos aquecimento da superfície. Como a previsão é de menos chuva, teremos menos nebulosidade e mais radiação solar chega à superfície e levando a uma aquecimento maior do ambiente”, explicou.

O estudo também destaca a possibilidade de formação do fenômeno El Niño nos próximos meses. Caracterizada pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico, essa ocorrência impacta o território brasileiro. No Sul, são registradas mais chuvas, enquanto o volume de precipitações cai bastante nas regiões Norte e Nordeste.

“Há essa possibilidade e temos que acompanhar. Poderemos ter um prognóstico mais preciso nos próximos meses. O que é importante destacar é o impacto que o El Niño tem. Ele pode causar inundações no Sul e agravar o quadro de seca, especialmente no semiárido”, observou Renata Tedeschi.

Atenção

O próximo trimestre também é configurado pelo auge da estação seca em grande parte do território brasileiro. Nessa época, são comuns os registros de focos de incêndio em áreas de floresta e, também, de redução na oferta de água à população.

“A temperatura fica mais elevada, principalmente no final da estação seca, já em setembro. E isso leva a ter mais evaporação. Se você está em situação de seca, com alta temperatura e baixa umidade, a água dos reservatórios simplesmente evapora. E isso pode impactar o abastecimento de água e a geração de energia elétrica em vários locais do país. Há também a preocupação com as queimadas, que têm um pico de registros nessa época de seca”, alertou o coordenador-geral de Operações e Modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Marcelo Seluchi.

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