Estudo do Inpe e do Cemaden comprova aumento das áreas degradadas da Caatinga

Uma nova metodologia de monitoramento do bioma, desenvolvida pelas unidades de pesquisa do MCTIC, permitiu estimar o grau de degradação da terra e desertificação. 
por ASCOM - publicado 05/07/2018 15h45. Última modificação 17/05/2019 17h11.

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Região passa por seca severa desde 2011. Foto: Reprodução da Internet

Um estudo realizado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) estimou o grau de degradação da Caatinga, no Nordeste brasileiro, por meio de um índice calculado a partir da persistência e frequência do solo exposto no período da pesquisa. Os resultados indicaram que as áreas degradadas aumentaram entre 2000 e 2016, principalmente nas áreas de pastagem e vegetação natural. Trata-se da primeira avaliação abrangente da degradação do solo no Nordeste brasileiro com essa representação temporal e espacial.

Combinando com evidências de outros estudos, os pesquisadores concluíram que a degradação foi intensificada pela seca severa que afeta a região desde 2011, aumentando o desmatamento para a produção de lenha e carvão vegetal e também a fração de solo exposto. A área estimada como degradada foi de mais de 70 mil km2  entre 2007-2016, o que representa, aproximadamente, 4% da área de estudo.

O trabalho científico foi baseado no mapeamento de solo exposto de 17 anos, derivado de imagens de satélites e devidamente calibrado com informações de campo.

“A metodologia desenvolvida possibilita futuras atualizações do índice de degradação de maneira relativamente fácil, o que permite sua implantação em sistemas de monitoramento”, explica o pesquisador do Javier Tomasella, do Cemaden. “ Além disso, o método pode ser aplicado em outros biomas para a avaliação da degradação do solo, como já vem sendo feito no Cerrado brasileiro.”.

Sensoriamento remoto da Caatinga 

Os estudos apontam que, após cinco séculos de ocupação desordenada, a Caatinga tem sofrido intensa pressão antrópica, ocasionada, principalmente, pelo manejo inadequado da terra, como a agricultura de corte e queima, a pastagem intensiva por longo período e a exploração excessiva de recursos lenhosos como fonte de combustível.

Considerando que a Caatinga tem sido afetada por erosão acelerada do solo, degradação da terra e desertificação associadas à perda de cobertura vegetal, é necessário o monitoramento constante das mudanças no uso e cobertura da terra. Nesse contexto, produtos de sensoriamento remoto têm sido frequentemente usados em estudos de degradação da terra desde os anos 80, sendo os índices de vegetação derivados de imagens de satélite um dos indicadores mais comumente utilizados na avaliação da degradação e desertificação do solo.

“Diante da complexidade do ecossistema – formado por uma grande variedade de árvores, arbustos e pastagens,  além da paisagem fragmentada, devido a vários usos da terra –  procura-se, há bastante tempo, uma forma de minimizar a ampla gama de respostas espectrais detectadas pelos sensores remotos”, afirma Tomasella.

Segundo ele, as secas severas, constantes na região, e a ação humana afetam a vegetação natural, tornando-a   semelhante às das áreas degradadas. “A diferença é que, neste caso, essas áreas se recuperam com o retorno das chuvas. Já as áreas degradadas na Caatinga aparecem associadas à área de solo exposto, mostrando pouco ou nenhum sinal de recuperação na estação chuvosa”, diz o pesquisador.

O estudo “Desertification trends in the Northeast of Brazil over the period 2000–2016” foi publicado no International Journal of Applied Earth Observations and Geoinformation. A pesquisa foi financiada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e teve apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

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