Com ciência, é possível manter ou desacelerar padrão de aquecimento da Terra, diz pesquisador

Referência no assunto, Paulo Artaxo realizou palestra na 70ª Reunião Anual da SBPC em Maceió (AL).
por ASCOM - publicado 24/07/2018 09h15. Última modificação 24/07/2018 14h32.
Com ciência, é possível manter ou desacelerar padrão de aquecimento da Terra, diz pesquisador

Pesquisador Paulo Artaxo realiza palestra na 70a Reunião Anual da SBPC, em Maceió (AL). Foto: Ascom/MCTIC

O homem é agente causador das alterações da temperatura da Terra. A afirmação é do físico Paulo Artaxo, que realizou palestra nesta segunda-feira (23) na 70ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência em Maceió (AL). Segundo o pesquisador da Universidade de São Paulo, dados físicos comprovam o impacto da ação do homem sobre a temperatura do planeta. Um deles é a capacidade de retenção de gás carbônico pelas florestas tropicais.

Com a gradativa redução da cobertura vegetal em diversas partes do globo, há mais CO2 disponível, o que eleva a quantidade de calor presente na atmosfera. Outra variável é a quantidade de energia circulante no planeta, que é diretamente afetada pelo aumento da temperatura. Quanto mais quente, mais energia há.

"A média de temperatura é 1,25°C maior que antes da Revolução Industrial. É evidente que estamos interferindo na temperatura do planeta, e os modelos mostram isso. Independentemente das mudanças climáticas, o homem é agente causador nas alterações de temperatura", afirmou o pesquisador.

Artaxo detalhou ainda que os modelos climáticos mais pessimistas apontam que o Brasil pode sofrer bastante com o aumento da temperatura, caso não sejam tomadas medidas de mitigação na emissão de gases causadores do efeito estufa. As simulações indicam que o Centro-Oeste e o leste da Amazônia podem ficar com os termômetros 7°C mais quentes, enquanto o Nordeste teria acréscimo de 5°C.

"É claro que isso traz impactos relevantes também sobre as pessoas. Nós não seremos extintos, mas as próximas gerações podem ter dificuldades com a produção de alimentos e com o clima em si", explicou. "Com ciência e tecnologia, podemos manter o padrão de aquecimento atual ou até desacelerar esse aquecimento. Temos que seguir esse caminho.”

Voltar ao topo