CTNBio aprova uso de nova técnica de edição genética que não deixa rastros de DNA exógeno

Organismos não são considerados OGMs por não conterem traços de genes externos.
por ASCOM - publicado 08/06/2018 13h55. Última modificação 17/05/2019 17h05.
CTNBio aprova uso de nova técnica de edição genética que não deixa rastros de DNA exógeno

A

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou, nesta quinta-feira (7), o desenvolvimento do primeiro organismo com base em uma nova técnica de edição do DNA da célula hospedeira. Segundo representantes do colegiado, a levedura para produção de bioetanol não é considerada um organismo geneticamente modificado (OMG) e abre um novo campo de pesquisa para o Brasil.

“Eles não são considerados transgênicos porque não deixam rastro de outro DNA dentro dele. E essa foi uma decisão histórica, porque é uma tecnologia completamente nova e recente, e que nunca havia sido feita e aprovada aqui na CTNBio. Então, acho que temos um dia histórico hoje”, afirmou a presidente da CTNBio, Maria Sueli Soares Felipe.

A técnica desenvolvida em 2013 pelas pesquisadoras Jennifer Doudna e Michelle Charpantier, chamada crisper, permite que se faça edições no DNA da célula sem que fiquem rastros do DNA exógeno. De acordo com a vice-presidente da CTNBio, Maria Lucia Zaidan, isso é possível porque as enzimas a serem inseridas no hospedeiro são guiadas para locais específicos e levam a célula a editar seu DNA por conta própria.

“Essas novas técnicas de melhoramento de precisão utilizam uma outra forma de inserir uma enzina, guiada por um RNA mensageiro. Você corta o DNA em um local bastante preciso e, depois, a própria bateria da célula repõe aquela sequência de nucleotídeos do DNA. Só que nada permanece dentro desse genoma da célula. A gente não tem um transgene, existe só uma edição de genoma. É como a edição de texto, em que apagamos o existente e substituímos por outro”, ilustrou.

Liberação comercial

Na mesma reunião, foram liberados para uso comercial uma enzima alfa-amilase utilizada na indústria alimentícia e uma vacina geneticamente modificada que combate a influenza suína. Segundo os relatores e membros do colegiado, os organismos geneticamente modificados (OGM) não oferecem quaisquer riscos à saúde humana, animal e ao meio ambiente.

Procedimento

Ao avaliar e aprovar a liberação comercial de um produto, a CTNBio elabora um parecer que examina o risco associado ao organismo geneticamente modificado, no que se refere à biossegurança para o uso do pressuposto. Em seguida, a empresa solicitante precisa requerer ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) a autorização e o registro do item a ser comercializado.

O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) exerce a secretaria-executiva da CTNBio, oferecendo infraestrutura e suporte para o funcionamento do colegiado.

Voltar ao topo