Áreas de risco concentram 8,2 milhões de moradores em 872 municípios brasileiros

Os dados estão em levantamento feito pelo Cemaden em parceria com o IBGE. Região Sudeste concentra a maior população exposta a enchentes, enxurradas e deslizamentos de terra.
por ASCOM - publicado 28/06/2018 17h17. Última modificação 28/06/2018 17h22.

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População está exposta a enchentes, enxurradas e deslizamentos de terra. Foto: Reprodução da Internet

Em 872 municípios observados pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), 8,2 milhões de brasileiros vivem em áreas de risco. Mais da metade deles estão em 308 cidades do Sudeste. É a região do país com a maior quantidade de pessoas expostas à ocorrência de desastres naturais de origem hidrometeorológica. Os dados estão no levantamento lançado nesta quinta-feira (28) pelo Cemaden e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com base no Censo de 2010.

Segundo a coordenadora de Relações Institucionais do Cemaden, Regina Alvalá, a explicação está na densidade populacional e pela geografia da região. “O Sudeste concentra grande parte da população brasileira. Então, é esperado que tenhamos um volume grande de pessoas vivendo em áreas de risco. E isso acontece porque o relevo dessa região é muito acidentado, com muitos morros e montanhas. A pressão populacional força muitas famílias a terem que viver em áreas de encosta, o que as expõe a desastres como enchentes, enxurradas e deslizamentos de terra.”

Em segundo lugar, a região Nordeste concentra 2,952 milhões de moradores em áreas de risco em 294 municípios. Na região Sul, em 144 cidades, são 703 mil habitantes expostos a desastres naturais. Já nas regiões Norte e Centro-Oeste, em 107 e 19 municípios, 340 mil e 7 mil moradores, respectivamente, vivem em áreas de risco.

A distribuição da população por faixa etária mostrou que 17,8% dos moradores das áreas de risco são crianças de até cinco anos e idosos. “No escopo específico do sistema de monitoramento do Cemaden, essa base de dados contribuirá para a emissão de alertas mais detalhados, incluindo informações sobre a distribuição espacial da população mais vulnerável, como crianças e idosos, que demandam especial atenção na iminência de um desastre”, explicou Regina.

Desde dezembro de 2011, o Cemaden monitora e emite, quando necessário, alertas de risco de desastres para municípios com riscos de deslizamentos e/ou inundações, usando tecnologias de monitoramento e previsões hidrometeorológicas e geodinâmicas.

Futuro

Com esse mapeamento, o Cemaden agora se prepara para integrar os dados relativos a desastres naturais com as informações que serão coletadas no Censo de 2020, que será feito pelo IBGE. Para isso, trabalha no desenvolvimento de uma nova metodologia que possa conjugar informações e otimizar a pesquisa sobre as populações em áreas de risco.

“Nesse contexto, uma metodologia inovadora foi desenvolvida, permitindo a produção de dados inéditos a partir da associação de dados geográficos de escala intraurbana do Censo de 2010, principalmente provenientes de faces de quadra, associados às áreas de risco. A metodologia foi desenvolvida para ser empregada com os dados do Censo 2020, permitindo estimativas periódicas da população em áreas de riscos”, disse Regina.

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