Instituto Mamirauá lança campanha para ações de preservação do macaco-de-cheiro

por ASCOM - publicado 16/04/2018 11h34. Última modificação 16/04/2018 11h41.
Instituto Mamirauá lança campanha para ações de preservação do macaco-de-cheiro

Instituto Mamirauá lança campanha para conservação do macaco-de-cheiro-da-cabeça-preta. Foto: Instituto Mamirauá

Descoberto em 1985, o macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta (Saimiri vanzolinii) passou 25 anos longe dos olhares dos cientistas até que, em 2006, o Instituto Mamirauá passou a realizar estudos sobre a espécie. Os resultados revelaram que o macaco-de-cheiro corre risco de extinção, sobretudo, por causa da sua restrita distribuição geográfica. Determinados a proteger o simpático primata, os pesquisadores decidiram iniciar uma série de ações de conservação. Para viabilizar essas ações, o Instituto Mamirauá lançou uma campanha online de financiamento coletivo. 

Uma das 15 espécies amazônicas consideradas prioritárias no Plano Nacional de Primatas, o macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta habita uma área de apenas 870 quilômetros quadrados, ao sul da Reserva Mamirauá, no estado do Amazonas. Sua população é estimada em 150 mil indivíduos somente.

“O macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta possui a menor distribuição geográfica entre todos os primatas das Américas. Por causa disso, é vulnerável à extinção, e seus principais riscos são decorrentes das mudanças climáticas”, afirma a pesquisadora Fernanda Paim, do Instituto Mamirauá.

Segundo ela, o primata pode, num futuro próximo, sofrer com as consequências das mudanças climáticas globais que já estão em curso, em particular, com a alteração da dinâmica de chuvas em seu habitat.

“Vários estudos já demonstram que, nos próximos anos, as enchentes que naturalmente já ocorrem na região amazônica todos os anos vão se tornar mais frequentes e intensas. Isso significa que, no futuro, pode ser que a espécie perca seu habitat, ou seja, não tenha para onde ir”, diz a pesquisadora.

Para preservar a espécie, os pesquisadores do Instituto Mamirauá pretendem coletar e armazenar material reprodutivo dos animais da floresta caso seja necessária reprodução assistida, por meio de fertilização in vitro.

“Dentre as principais ações de conservação, eu destaco o desenvolvimento de biotecnologias de reprodução para a criação e manutenção de um banco de gametas, ou seja, um depósito onde células reprodutoras de machos e fêmeas ficarão armazenadas para que, no futuro, a espécie possa ser reintroduzida, caso esse cenário de mudanças climáticas seja confirmado e a espécie perca seu habitat natural”, explica a pesquisadora Fernanda Paim.

Além disso, os cientistas pretendem continuar o monitoramento das populações de Saimiri vanzolinii na floresta, para entender melhor os hábitos, os modos de vida e a reprodução da espécie. O próximo passo da equipe é utilizar colares com GPS para determinar de forma precisa o deslocamento dos macacos.

A educação científica e ambiental também está entre as ações planejadas pelo Instituto Mamirauá. Por isso, um número especial da revista O Macaqueiro Kids, voltado para o público infanto-juvenil, será impresso com textos informativos sobre o macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta.

Meta

Para realizar todas essas ações, o Instituto Mamirauá pretende arrecadar R$ 100 mil na campanha de crowdfunding. Todos os apoiadores poderão escolher recompensas como camisetas, paper toys (bonecos em miniatura) de macacos amazônicos e publicações. Quem doar R$ 5 mil ou mais ganhará ainda um dia de hospedagem na Pousada Uacari, que fica dentro da Reserva Mamirauá.

O período de arrecadação vai de 13 de abril a 14 de junho. Para doar, clique aqui

Assista ao vídeo e saiba mais sobre a campanha.

 

Voltar ao topo